Ser mãe me salvou: reflexões sobre a maternidade real

Entre lembranças, desafios e amor, uma mãe reflete sobre como a maternidade real transformou sua vida.

Olá, amadas leitoras! Como vão? Espero que muito bem!

O ano está passando rapidamente, e agora me encontro sentada na cadeira de balanço de minha mãe, refletindo sobre a passagem do tempo. Estou completando mais uma primavera e é inevitável que lembranças do passado surjam aos poucos — lembranças tanto doces quanto amargas.

A vida me trouxe muitos presentes, e um dos maiores é a oportunidade de poder compartilhar com vocês algumas das minhas experiências como mãe. Desde a infância, eu sempre desejei ser mãe. Naquela época, tinha apenas uma ideia distante do que isso significava. Hoje, posso dizer que aprendi muito e espero que as lições da minha jornada na maternidade real possam inspirar outras mulheres.

Com o passar do tempo, percebi que a maternidade não me faria uma mulher perfeita — pelo contrário! Meus maiores defeitos teriam de ser domados e meus traumas, deixados de lado. A maturidade nos obriga, a meu ver, a tomar uma atitude em relação aos nossos estigmas.

Quando a minha primogênita nasceu — inclusive, ela faz aniversário dias depois de mim — percebi que eu não podia mais me deixar prender pelas amarras do passado. Por mais difícil que fosse, eu teria que aprender a lidar comigo mesma. Caso contrário, não conseguiria criar meus filhos da melhor forma possível.

Claro que ainda estou em busca do meu desenvolvimento como pessoa e ser humano, mas, como mãe, eu não poderia me apegar aos meus medos e simplesmente passá-los para meus filhos. Eles não têm por que carregar o mesmo fardo que eu.

Seguindo conselhos de livros, de pessoas mais experientes e relembrando lições que aprendi ao longo da vida, fui educando meus filhos enquanto buscava ser uma pessoa melhor. E quando falo em ser uma pessoa melhor, me refiro a ser, no mínimo, coerente em minhas atitudes.

Ser coerente nas atitudes fez uma grande diferença na criação de meus filhos. Por causa disso, eles confiam em mim e me respeitam.

O que aprendi com a maternidade real

Ser mãe me salvou: reflexões sobre a maternidade real

Essas são algumas das atitudes que tomei ao longo da minha jornada como mãe:

  1. Cumprir minha palavra: ao longo dos anos, procurei honrar meus deveres, independente de com quem estivesse lidando.
  2. Admitir meus traumas e fraquezas: enquanto meus filhos cresciam, me viram reconhecer meus erros e enfrentá-los com coragem.
  3. Aceitar apoio dos meus filhos: estimulei meus filhos, mas também deixei que me apoiassem. Muitos adultos subestimam o valor do carinho e do incentivo das crianças — e isso é um erro. Nossos filhos são nossos maiores apoiadores!

Se, por acaso, eles não se comportarem assim, talvez seja hora de parar e descobrir onde o laço de amor se desgastou.

A força transformadora da maternidade

Ao longo da minha vida, busquei aprender com cada experiência. Hoje, percebo que a existência dos meus filhos foi crucial para que eu me empenhasse em evoluir como pessoa. Nós, mulheres, podemos ser várias em uma só. Não precisamos ser tudo, mas podemos viver diferentes papéis.

Eu quis ser mãe — e ser mãe me salvou.

A maternidade real me deu a força extra que eu precisava para continuar sonhando e lutando. Ela me forçou a olhar para o espelho e desejar crescer. O processo foi lento e doloroso, mas, pensando bem, valeu a pena.

Fiz muitos sacrifícios pelos meus filhos. E a cada luta travada por eles, fui obrigada a olhar para dentro de mim e reconhecer minhas rachaduras. Quando a gente identifica onde estão as rachaduras, fica mais fácil buscar a cura — porque sabemos onde precisamos consertar.

Gratidão por cada fase

Cada mulher vive o seu próprio processo, com suas lutas e vitórias. O meu me trouxe até aqui, e me sinto profundamente grata por isso.

Posso dizer que cheguei bem longe — mais do que imaginei. E hoje, apesar de surpresa por já ter passado de três décadas de vida e por ver os primeiros fios brancos surgirem entre meus cachos, me sinto feliz.

Sou grata por estar ficando mais velha, com saúde, fé e esperança de realizar novos sonhos além dos que já realizei. Mas, acima de tudo, sou grata pelos meus filhos. Eles são o meu presente divino.

A maternidade real segue sendo exaustiva e complexa, mas, ainda assim, é uma dádiva.

Que este dia se repita mais e mais vezes — e que todas nós possamos nos sentir felizes pelas mães maravilhosas que somos.

Porque, certamente, nós somos.

Imagem de capa: Canva

Compartilhe:

Foto de Luzia Souza
Luzia Souza
Luzia Souza é uma escritora baiana, e é coautora em mais de setenta antologias. Ama ler, ver séries e como desenhista autodidata tem ilustrações publicadas nas revistas digitais Mar de Lá e Arte do Multiverso. Tem três filhos que ama profundamente! Recentemente publicou seu primeiro livro solo! Costuma sonhar acordada, e ainda está aprendendo a lidar com as próprias falhas enquanto vai construindo o seu próprio caminho de tijolos amarelos.

Comentários (3)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aperte X para sair