Uma reflexão sobre maternidade, realização pessoal, identidade e coragem para sair da concha e realizar sonhos, mesmo entre desafios e responsabilidades.
Olá, queridas leitoras. Espero que estejam bem!
O clima de fim de ano costuma nos convidar a olhar para trás — e comigo não foi diferente. Ao revisitar minha própria história, me surpreendi com tudo o que já vivi e com o quanto caminhei, mesmo quando parecia não sair do lugar.
A nostalgia me levou ao passado. E, ao retornar ao presente, percebi algo importante: fiz bem a mim mesma.
Esses dias, enquanto procurava antigos stories no Instagram, encontrei registros feitos antes mesmo de começar a compartilhar minhas histórias publicamente. Ao vê-los, senti alívio — e gratidão. Dei graças aos céus por ter tido coragem de correr atrás dos meus sonhos.
Tenho muito a aprender e ainda muito a conquistar. Mas, naquele momento, me senti orgulhosa de mim. Durante anos, eu mesma me sabotei. E, sendo honesta, ainda acontece. A diferença é que hoje tenho uma visão mais realista de quem sou — e isso tem me ajudado, pouco a pouco, a superar minhas próprias limitações.
Enquanto revia aqueles registros antigos, pensei em como aquela versão de mim estava incompleta. É curioso perceber como a vida é cheia de reviravoltas.
Maternidade e realização pessoal: o processo de sair da concha

Às vezes, parece que somos personagens de um videogame: a cada fase vencida, adquirimos novos “poderes”. Ficamos mais atentos, mais calmos diante dos desafios, mais persistentes. Aprendemos a traçar planos e seguimos em frente, mesmo com medo.
Eu queria vencer. Cada obstáculo. E meus filhos sempre foram minha maior inspiração.
Criá-los não foi fácil. Foram muitos sacrifícios. Ainda assim, posso afirmar com segurança: só cheguei onde estou hoje por causa dessa força motriz que me guiou por tantos anos. Hoje tenho livro publicado, contos em antologias, compartilho minhas vivências como mãe com outras mulheres e sigo desenvolvendo novos projetos. Nada disso veio por acaso. Tudo começou quando decidi me arriscar.
Decidi fazer algo que amo.
E só fiz isso porque me inspirei nas pessoas que amo.
Queria vencer a mim mesma. Também queria ser exemplo para meus filhos. Em algum momento, entendi que precisava abandonar a mentalidade de “vítima das circunstâncias” e assumir a responsabilidade pelos meus sonhos.
Passei décadas dentro de uma concha. Sair dela tem sido doloroso. Muito. Mas quando penso na pérola que pode nascer desse processo, o ânimo retorna. A coragem se renova. É como se meus pulmões se enchessem de ar — e eu voltasse à minha estrada de tijolos amarelos.
A maternidade não anula sonhos, ela pode fortalecê-los
A maternidade não é uma prisão.
A maternidade não é uma caverna.
A maternidade é uma missão.
E mesmo com todas as responsabilidades que essa missão traz, não precisamos permanecer escondidas. Podemos sair da concha com sabedoria. Cultivar sonhos. Não existe idade certa para realizá-los. O tempo só é implacável com quem paralisa.
Em 2022, eu não tinha absolutamente nada publicado. Em 2023, já participava de várias antologias. Isso não foi sorte, nem mágica. Foi decisão. Não esperei as circunstâncias melhorarem. Quando meu coração — antes tímido e silencioso — pediu para tentar, eu o escutei.
Talvez você, que está lendo, pense: “Mas eu não fiz grande coisa.”
E eu lhe digo: você venceu lutas que nem percebeu. Sobreviveu aos momentos mais difíceis. Ainda vencerá muitos outros. Talvez só não consiga ver isso agora porque permanece dentro da concha.
Então saia.
Devagar.
E brilhe.
Não precisa ter pressa.
Recentemente, conheci mais profundamente a história de Carolina Maria de Jesus — mulher negra, mãe solo, catadora de papel, que estudou apenas até o segundo ano. Movida pelo amor à leitura, ela não se calou. Escreveu. Se fez ouvir. Tornou-se lenda. Seus filhos sempre foram sua inspiração.
Que sejamos gratas.
Que não permitamos que a sensação de fracasso nos paralise, nem que as lágrimas nos impeçam de enxergar o caminho rumo à realização pessoal.
Já chegamos até aqui.
Conseguimos.
Imagem de capa: Canva
