Quando a maternidade pede amadurecimento: um conselho

Quando a maternidade pede amadurecimento: um conselho

Reflexão real sobre erros dos filhos, expectativas e o amadurecimento na maternidade. Um conselho sincero para mães em evolução.

Olá, queridas leitoras! Espero que estejam bem.

No meu último post, falei sobre a situação inusitada pela qual passei com minha filha. Na verdade, não foi inesperado no sentido de que ela está crescendo, vivendo suas próprias experiências e, como qualquer ser humano, propensa a cometer erros.

Mas essa experiência me fez refletir profundamente sobre a minha missão como mãe e sobre o amadurecimento que a maternidade exige de nós. Mesmo sabendo que errar é natural, nunca estamos completamente preparadas para lidar com as dores que surgem desse processo.

Durante alguns dias pensei muito sobre a melhor maneira de conduzir a situação. Percebi que a minha reação diante da “traição” dela definiria muito do nosso futuro. Nós, mães, sabemos que nossos filhos são seres humanos como nós, mas nem sempre aceitamos isso com facilidade.

Alguns pais se tornam autoritários, acreditando que isso impedirá os erros. Outros são tão permissivos que acabam construindo um muro entre eles e seus filhos. Em ambos os casos, falta equilíbrio… e falta amadurecimento emocional.

Compreendi então que a mágoa que senti não veio apenas do fato de ela ter escondido algo de mim, mas também do choque entre o que ela fez e as expectativas que eu, sem perceber, vinha criando. E é justamente aí que mora uma armadilha: esperar perfeição de nossos filhos — a mesma perfeição que nós mesmas não conseguimos atingir.

É irônico, não? Somos cobradas por uma sociedade que exige perfeição e, ao mesmo tempo, cobramos de nossos filhos exatamente isso.

Quando eles nos mostram que não são perfeitos e que até podem nos ferir, percebemos que aquele bebezinho fofo não existe mais. Agora ele vive nas fotos antigas. O filho real cresceu, está aprendendo, errando e agindo como qualquer ser humano.

E esse choque é um convite ao nosso próprio amadurecimento como mães.

Quando a maternidade pede amadurecimento: um conselho

Sejam crianças, adolescentes ou adultos, sempre há espaço para mudança e acerto. Porém, quando o filho é adulto, pode ser ainda mais difícil aceitar os erros. Muitos pais entram em um ciclo vicioso por nunca terem cortado o cordão umbilical — e sofrem por anos tentando consertar o que não lhes cabe mais.

É fácil julgar esses pais. Difícil é perceber quando estamos caindo na mesma armadilha: a de acreditar que devemos resolver tudo. Mas, por mais doloroso que seja, chega um momento em que precisamos permitir que a vida ensine.

Não posso prometer que não vai doer. Nem que eles não vão repetir os erros. Mas podemos tentar… e aprender a confiar no processo de amadurecimento deles e no nosso.

Enquanto respirarmos, podemos orientá-los, aconselhá-los e apoiá-los. A vida, em algum momento, fará o papel que antes era nosso. A ciência chama de neuroplasticidade essa capacidade de aprender e mudar — e nós sabemos bem que funciona, porque também aprendemos ao longo da vida.

Por isso, precisamos ter paciência. Deixar que eles vivam as lições que precisam viver e estar por perto quando precisarem de nós.

Afinal, apesar de toda essa capacidade do cérebro de se adaptar, existe algo que não muda: o amor que nos une aos nossos filhos. E esse amor, usado com sabedoria, é a base do nosso amadurecimento como mães.

Decidi aproveitar essa experiência para crescer. Minha filha está amadurecendo — e eu preciso amadurecer junto com ela. Se eu não crescer como mãe e como ser humano, não conseguirei acompanhá-la nesse processo em que ela descobre sua própria humanidade.

Por fim, nunca é tarde demais para dar — e receber — mais um conselho.

Imagem de capa: Canva

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Foto de Luzia Souza
Luzia Souza
Luzia Souza é uma escritora baiana, e é coautora em mais de setenta antologias. Ama ler, ver séries e como desenhista autodidata tem ilustrações publicadas nas revistas digitais Mar de Lá e Arte do Multiverso. Tem três filhos que ama profundamente! Recentemente publicou seu primeiro livro solo! Costuma sonhar acordada, e ainda está aprendendo a lidar com as próprias falhas enquanto vai construindo o seu próprio caminho de tijolos amarelos.

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