Olá, queridas leitoras! Espero que estejam bem. O mês de julho passou e não me trouxe apenas dificuldades, mas também aprendizados. Os momentos de reflexão e descoberta são muito importantes para mim, e hoje quero compartilhar com vocês uma experiência que vivi com a minha primogênita, uma daquelas fases em que sentimos que estamos, ao mesmo tempo, perdendo e ganhando alguma coisa como mães. Vamos falar sobre limites na adolescência.
Quando o mundo da minha filha deixou de girar em torno de mim

Há semanas venho tentando assimilar o fato de que não sou mais a pessoa mais importante na vida da minha filha. Ela tem se mostrado mais aberta com as amigas do que comigo, e isso me deixou bastante triste.
No fundo, eu sabia que isso aconteceria. Ainda assim, minhas amigas, não estava preparada para sentir um ressentimento tão grande. Desde sempre soube que a maternidade me traria algumas decepções: isso é perfeitamente natural, já que criar e educar um ser humano não se resume a formar cópias nossas, mas sim pessoas autônomas, capazes de fazer suas próprias escolhas e arcar com as consequências delas. Vale lembrar que a intensidade e o momento em que esse afastamento aparece variam bastante de criança para criança, conforme a personalidade e o desenvolvimento de cada uma.
O erro de comparar meus filhos ao pai deles
O fato é que eu já havia notado nela alguns traços de personalidade parecidos com os do pai, e acabei cometendo um erro grave: a comparei com ele.
Amigas, um dos piores erros que nós, mães, podemos cometer é projetar nossos traumas nos nossos filhos. É injusto com eles. Nossos filhos não podem carregar esse tipo de responsabilidade, nem sofrer por causa de traumas que desenvolvemos ao longo da vida, especialmente quando esses traumas têm relação com outros parentes.
O pensamento que quase me fez desistir
Cheguei ao ponto de pensar em enviá-la para viver com o pai. Meu raciocínio era: se ela se parece com ele e vai me tratar com a mesma frieza que ele me tratava, talvez fosse melhor evitar mais atritos e deixá-la viver com ele.
Depois de refletir, percebi duas coisas importantes:
- Eu não estava considerando essa hipótese pensando no bem-estar dela, mas sim em evitar passar pelas mesmas situações incômodas que vivi com o pai dela.
- Eu não conseguiria suportar vê-la enfrentando dificuldades e decepções por causa do comportamento irresponsável e ausente do genitor.
Por isso, decidi desistir daquela ideia e fazer o que sempre fiz: lutar pela minha filha.
Limites na adolescência com firmeza: por que a coloquei de castigo
Houve situações em que me senti profundamente triste com as atitudes da minha primogênita, mas lembrei que era justamente para esse momento que eu vinha me preparando. Ela já está saindo da fase em que a mãe é o centro do seu mundo, e já começa, de vez em quando, a meter os pés pelas mãos. Este é o momento em que preciso colocar limites com firmeza e amor, mesmo sabendo que não é fácil.
É importante que nossos filhos entendam que as ações têm consequências, e por isso a coloquei de castigo. Conversei com ela, deixei clara a minha posição sobre o assunto e expliquei que aquelas atitudes poderiam prejudicá-la seriamente caso ela não recuasse.
Não é fácil perceber que nossos filhos estão crescendo e que já não conseguiremos mais resolver todos os problemas deles só com um colo. Aqueles bebês fofos vão, ainda que por um momento, se afastar dos princípios que um dia lhes ensinamos. Mesmo com a decepção, fiz de novo o que já havia feito antes: reuni a mesma força de quando me vi sozinha, quando assinei o divórcio e entendi, na prática, os desafios de ser mãe solo.
Prometi a mim mesma que sempre estaria com a mão estendida. Não para adular ou amenizar as falhas dela, mas para ajudá-la a se levantar e voltar ao caminho.
Por que eu nunca vou usar a violência para educar
Algumas pessoas acreditam que uma surra resolveria o problema, mas percebi que isso só poderia piorar as coisas. Afinal, se por um tempo minha filha se esqueceu dos meus ensinamentos, quem poderia garantir que usar a força faria com que ela voltasse a me ver com o mesmo respeito e amor de antes? Essa é uma fase complexa, e vale a pena entender melhor o que é disciplina positiva e como aplicar no dia a dia, já que a disciplina baseada em medo raramente constrói uma relação de confiança a longo prazo, que é justamente o que buscamos.
A adolescência pede ainda mais presença
Precisamos ser sábias. Se durante a infância dos nossos filhos já é preciso nos aperfeiçoarmos como pessoas e buscar a melhor forma de incutir valores e ensinamentos importantes, imagine na adolescência, fase em que, por instinto, eles passam a questionar boa parte do que falamos.
Se antes já precisávamos de cuidado para não os perder para as influências de um mundo tão complexo, esse cuidado precisa ser redobrado agora, quando eles começam a viver as próprias vidas e a colher, por conta própria, os frutos, bons ou ruins, de suas escolhas.
O que essa experiência me ensinou

Sigo aprendendo com cada situação e buscando melhorar como mãe, sem nunca amenizar as faltas, mas também sem deixar de dar oportunidades para os acertos e a mudança de conduta.
É o processo mais longo e mais complexo da criação de um filho. Achei coerente, inclusive, buscar um apoio improvável: o da amiga dela. Acredito que, assim, posso influenciar positivamente não só a minha filha, mas outros jovens também. Quando a fase fica realmente difícil de administrar sozinha, vale a pena buscar orientação de uma psicopedagoga sobre o comportamento dos filhos ou apoio de um psicólogo especializado em desenvolvimento infantil: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é cuidado.
É uma tentativa arriscada. Mas eu sou mãe. E ser mãe é isso: arriscar por eles, sempre.
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Enquanto a gente segue ensinando limites e valores em casa, vale lembrar que cuidar do desenvolvimento dos filhos passa por várias frentes, inclusive pela alimentação. Se você tem uma criança em fase de crescimento e quer praticidade na hora de montar o cardápio, vale a pena conhecer o Garfinho: um app com receitas, listas de alimentos e conteúdos pensados para o dia a dia de quem cuida de crianças de 2 a 7 anos. Clique aqui para baixar!
