Quando chegou a nossa vez de ser mãe, ficou mais difícil

Quando chegou a nossa vez de ser mãe, ficou mais difícil

Um olhar real sobre a Páscoa com crianças, equilíbrio, culpa materna e a importância de criar memórias com mais presença.

Quando chegou a nossa vez de ser mãe, ficou muito mais difícil ser mãe.

Eu queria escrever um texto de Páscoa. Algo que falasse, com sensibilidade e beleza, sobre vida, memória e recomeço. Porém, a única frase que me veio à cabeça foi essa.

Mas o que essa frase tem a ver com a Páscoa, afinal?

Quando chegou a nossa vez de ser mãe, ficou mais difícil

Bem, estou me referindo ao tal do fazer certo ou fazer errado, que tanto distrai o nosso instinto e empalidece certas tradições.

Por exemplo, quando penso na Páscoa da minha infância, não me lembro dos meus pais enlouquecidos com pesquisas e mais pesquisas sobre dar ou não chocolate para os filhos.

Não me lembro de ouvir nada como: qual a idade ideal, quantos por cento de cacau, com brinquedo ou sem brinquedo, vai gerar trauma falar a verdade sobre o coelho, melhor ficar só no aspecto religioso, quantos ingredientes tem o rótulo, o que dizem os especialistas, o que dizem outras mães na porta da escola.

Não tinha nada disso.

Eu escolhia um ovo com muito chocolate, o coelho o deixava embaixo da minha cama, e eu comia de pijama, rodeada dos meus pais, irmãos e de histórias bonitas sobre vida, memória e recomeço.

Até que chegou a minha vez de ser mãe. E eu corro o risco de passar mais tempo preocupada com números, gráficos, siglas e opiniões do que me deliciando com filhos lambuzados de chocolate aprendendo sobre o amor.

Essa é a dificuldade.

Não estou romantizando o açúcar. Não estou romantizando rótulos abarrotados de artificialidades. Não estou minimizando os avanços importantíssimos que tivemos no cuidado com a saúde das nossas crianças.

Só estou dizendo que, por vezes, ficamos tão saturadas de informações que perdemos a leveza.

Enchemos de barulho o nosso instinto e, distraídas, deixamos de estar verdadeiramente presentes em momentos únicos da infância dos nossos filhos.

Mas talvez eu possa romantizar algo, sim.

O caminho do meio.

Aquele que é trilhado com equilíbrio, com os pés centrados no que faz sentido, com olhos livres para pausar em instantes mágicos, com ouvidos que escutam com sabedoria, mas que também riem com o riso das crianças.

O caminho do meio quase sempre nos livra de enlouquecer. Quase sempre alivia nossas culpas. Quase sempre nos leva a um maternar com mais presença e menos pressa.

Então, sim, vou dar ovo de Páscoa para os meus filhos.

Bebê pode comer ovo de Páscoa?

De chocolate. Muito chocolate.

Vou deixar embaixo das suas camas, depois do rastro de pegadas de coelho feitas de farinha.

Vou desligar pesquisas e opiniões, pelo menos no domingo de manhã, e deixar que meus pequenos sujem o sofá com seus dedos melecados.

E vou falar para eles sobre amor.

Não porque especialistas dizem que eu preciso falar sobre amor, mas porque é isso que habita o meu instinto.

É só o que escuto quando silencio todo o resto.

É disso que são feitas as memórias que quero que eles guardem.

Amor. Sem rótulo. Sem certo. Sem errado.

E, sempre que possível, com muito chocolate.

Imagem de capa: Canva

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